Resenha: Caixa de pássaros – Josh Malerman

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Intrínseca – 2015 – Ficção americana – 268 páginas – Nota4♥♥♥♥.

Comprei este livro após pesquisar na internet, já estava um pouco enjoada de romances e decidi procurar por algo diferente. Com a promessa de um excelente livro de terror, macabro, horrores altamente ficcionais, investi neste exemplar, muito bem criticado na mídia e está aprovadíssimo. Posso dizer que senti medo, aquele famoso friozinho na barriga, do início ao fim do livro, e vejamos, para mim que não me apaixono há tempos, foi uma sensação boa, esse tremor no estômago haha. Escrito em terceira pessoa, um narrador contando o ponto de vista da protagonista da história, Malorie, não chega a nos afastar da história. Não é meu gênero de escrita favorito, mas gostei. Malorie, uma jovem adulta vive com a irmã e se descobre grávida acidentalmente em meio a um caos que cresce no mundo. Um detalhe na história. Que foi algo que me questionei até os momentos finais, o fato da mãe não ter um nome definido aos filhos, porém o autor muito perspicaz deixa claro o porquê sem explicar de fato o motivo no fim do livro. O personagem que mais gostei e torci foi Tom. Gostaria de conhecer alguém com tamanha bravura e generosidade. Sobre um olhar inovador, uma história criativa e assustadora, o livro nos transporta para uma ficção inimaginável e a audácia do autor me surpreendeu. Se eu pudesse definir o livro em uma palavra, seria MEDO. Um medo quase palpável, real. Ao longo da história me descobri negando muitas coisas, se eu estivesse na história, se isso acontecesse na realidade, eu provavelmente seria a pessoa mais bundona de todas, pois durante os acontecimentos só conseguia pensar “não faça, não abra, não vá”. Cheguei a cogitar diversas teorias sobre o livro e há uma loucura que o medo causa que se percebe justificadamente possível. Malerman sabe preender o leitor e levei quatro dias para lê-lo apenas porque preciso trabalhar e estudar, sorry. Por mim, teria lido de uma só vez.

Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 30 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem.

Acompanha Malorie no presente e há quatro anos, quando “O Problema”, como se chamam os surtos, teve início. Os capítulos são alternados entre estes dois pontos da narrativa. Achei interessante o fato de até pouquíssimo antes do fim eu não saber exatamente o que aconteceria. De muitas formas Malerman conseguiu incutir um clima pesado e tenso de um terror que vai se infiltrando pelas beiradas, assombrando com barulhos e sensações. Tudo começou com rumores. Um incidente aqui e ali. Pareciam ser casos isolados, afinal a loucura sempre atingiu a humanidade, e vemos casos insanos o tempo todo na TV. Mas então, estes casos começam a ganhar mais e mais força, espalhando-se por vários pontos do planeta, de formas muito semelhantes. Não poderia ser coincidência. A pessoa tem um acesso de loucura, de raiva, ataca quem estiver próximo e depois se mata. As mortes são cruéis. E aparentemente o surto começa quando a pessoa vê alguma coisa. Ninguém sabe dizer o quê, seja um monstro, uma pessoa, um animal, um espírito, afinal quem viu está morto. Os detalhes deixam um ar grotesco, mas para quem já leu o livro The Walking Dead (euzinha), foi bem tranqüilo. As pessoas começam a não sair mais de casa. Os mais sensatos cobrem janelas com lençóis escuros, tábuas e papelão. Com o tempo as autoridades somem, a TV e internet não funcionam mais, há apenas um locutor que ainda resiste no rádio, não há luz nem telefone. E há apenas escuridão. Não há mais como olhar para o exterior, não há mais como sair sem estar vendado ou de olhos fechados. Não há mais como viver sem medo de abrir e ver algo que não deveria estar lá fora, espreitando, esperando. O que seriam estas coisas que traziam loucura para quem os olhasse? Uma loucura, uma insanidade terrível capaz de destruir a vida? Criaturas? Há quatro anos Malorie vai até uma casa e ali encontra abrigo junto a um grupo de pessoas. Entre estas pessoas está Tom, um ex-professor que se tornou uma espécie de líder e de alicerce para os outros sobreviventes da casa. Em uma mistura de suspense psicológico e drama o autor nos mostrou todas as facetas dos personagens, e como a ruína do mundo exterior os estava afetando. A tensão no livro não se deve apenas ao medo do que está lá fora, mas o medo da fome, da insanidade se infiltrando aos poucos na mente de cada um deles. É difícil manter a mente sã quando tudo o que se pode fazer é ficar preso dentro de uma casa com cobertores cobrindo as janelas. Com medo de olhar por qualquer fresta e perder a vida. Ter que se cegar para o mundo exterior e tomar decisões em que o certo e simples não existe mais. Perturbador o fato de precisar haver um esforço colossal para permanecer vivo e são, mas para quê? Para qual mundo? Afinal o mundo parece ter acabado.

Para finalizar, achei a capa e o volume favoráveis à leitura , assim como todo o conteúdo.

Até logo ;).

Resenha: Pequenas grandes mentiras – Liane Moriarty.

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Intrínseca – 2015 – Ficção australiana – 400 páginas – Nota4♥♥♥♥.

Mais uma vez comprei este livro devido a comentários positivos que li na internet e não me arrependi. Mistério e suspense são o foco da história. Ele é narrado em terceira pessoa, contando o ponto de vista de três mulheres. Amigas, moradoras do mesmo bairro e com filhos pequenos que estudavam na mesma escola. As três protagonistas contam suas histórias e mostra o dia-a-dia de cada uma. Porém o livro é sobre um assassinato que ocorreu na escola em uma noite de evento apenas para os pais e a investigação policial que acontece. Ele é retroativo. Inicia a trama três meses antes do episódio e existem muitos coadjuvantes, o que torna a história mais interessante, mostrando outros pontos de vista. Levei quatro dias para ler o exemplar, mas houve pequenos momentos que a história não me prendia, no início, porém a partir da página 197 o li de uma só vez. Observei-me como leitora pela primeira vez e constatei que sempre somos influenciados pelo ponto de vista de quem conta a história. Sempre me vejo ficando a favor dos protagonistas dos livros, defendendo e torcendo por eles. O que me leva a pensar que qualquer pessoa, por pior que seja, se nos contar a sua verdade, entenderemos e seremos parciais. Neste livro torci pelas três e tive raiva daqueles que as afrontavam. Foi meu primeiro livro dessa autora e a forma como ele desenvolveu os acontecimentos mostra seu talento para a escrita. O livro também me apresentou o clube do livro e estou tentada a organizar um. Nunca tinha pensado nisso. Um grupo de pessoas reúnem-se periodicamente para analisar e falar sobre um livro lido de comum acordo de todos. Cada vez, um dos integrantes decide qual será a próxima leitura. Achei o máximo hehe.

Madeline, que pra mim é a personagem mais fascinante, casada com Ed, tem a filha Abigail, adolescente de um relacionamento anterior com Nathan, que as abandonou há anos, decide morar com a nova família no mesmo bairro e matricular sua filha mais nova Skye na mesma escola que a filha caçula de Madeline. Como se isso não fosse desagradável o suficiente, Abigail tem preferência notável pelo pai e a madrasta e decide morar com ele. Ela e Celeste são amigas, Celeste leva uma vida aparentemente perfeita com o marido e os filhos. Ela é linda e escultural, Perry é muito rico e lhe proporciona uma vida ótima e os filhos gêmeos Max e Josh são crianças incríveis. Porém Perry é um cara violento que agride a mulher constantemente sem que ninguém tenha conhecimento. Madeline e Celeste ficam amigas de Jane assim que ela se muda para o bairro e matricula o doce Ziggy na mesma escola. Jane criara o filho sozinha, é Guarda-livros, o que pra mim pareceu mais como uma Contadora, que vive se mudando e está em Pierrew em busca de respostas, porém logo na apresentação dos alunos, Ziggy é acusado de ser praticador de bullying, o que ele nega veementemente e causa um transtorno há todos os pais envolvidos, com petição para suspender Ziggy e tudo que há direito.

As três amigas se tornam confidentes e inseparáveis, porém seus pequenos segredos e mentiras torna a história um grande mistério. Se eu pudesse resumir o livro em uma frase, seria: Nem tudo que parece, é! Existem diversos conflitos e acontecimentos no decorrer do livro que são a magia da história. As três protagonistas têm seu encanto e características diferentes entre si, porém a que me gostei foi Madeline, pois ela é a típica pessoa que não tem medo de expor suas opiniões e ser sincera, mesmo que isso doa, tendo muito de mim na personagem. No final de cada capítulo temos os depoimentos dos pais e moradores do bairro para os policiais e a interpretação do detetive. Liane enfatizou o lado obscuro, sujo e mentiroso do ser humano, aquelas pequenas grandes mentiras que contamos para parecer aos olhos dos outros que somos completamente felizes. Será mesmo que todo mundo tem um segredo a esconder? Você pode confiar cegamente nas pessoas que ama? Podemos fazer tudo aquilo que temos vontade? Como você agiria em cada uma das situações? A história mostra que o suposto praticador de bullying é na verdade o assediado e sofredor do bullying dos pais e amigos. Abandono familiar, mágoas, decepção, agressão infantil, bullying, violência doméstica e sexual, são alguns dos muitos subtemas trazidos pela autora, que provoca sérias discussões e tira você da zona de conforto de um livro apenas para entretenimento, te levando a pensar e viver as situações dos personagens. Liane provoca choque de realidades, pena, comoção e raiva no leitor. As revelações finais foram surpreendentes, errei o assassinado e também o assassino. Gostaria de fazer parte de um clube do livro para debater sobre esse. Vi-me realmente odiando aqueles que odiavam essas três mulheres incríveis Madeline, Celeste e Jane. Consegui sentir seus medos, preocupações, dores e rancores perfeitamente. Recomendo muito.

Até a próxima resenha 🙂

Resenha: Depois de você – Jojo Moyes

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Intrínseca – 2016 – Ficção inglesa – 320 páginas – Nota5♥♥♥♥♥

Continuação de Como eu era antes de você.

Após o fim devastador do primeiro livro, que virou filme e estréia nos cinemas brasileiros em Junho deste ano e óbvio que irei assistir com as amigas, estava ansiosa pelo lançamento mês passado desta continuação, porque sou apaixonada (como muitos leitores) pela Jojo Moyes e acho sua escrita divina, talentosa e de outro mundo, mas estava preparada para o pior, no sentido história/ enredo. Claro que a autora sempre me surpreende de uma forma ou outra. Só posso repetir como sempre, INCRÍVEL!

Lou ainda não superou a perda de Will. Morando em um flat em Londres (comprado com o dinheiro que ele lhe deixou), ela trabalha como garçonete em um pub no aeroporto, um trabalho onde ela é desrespeitada pelo gerente e humilhada em suas funções e vestimentas. Ela apenas segue vivendo, sem de fato sentir a vida. Neste ponto, acredito que o livro seja bastante reflexivo a todos. Certo dia, após beber muito, Lou cai do terraço de seu prédio. O terrível acidente a obriga voltar para a casa de sua família, mas também a permite conhecer Sam Fielding, um paramédico cujo trabalho é lidar com a vida e a morte, a única pessoa que parece capaz de compreendê-la. Ao se recuperar, Lou sabe que precisa dar uma guinada na própria história e acaba entrando para um grupo de terapia de luto, Seguindo em Frente por insistência da família que seja a cogitar que ela tenha se jogado do prédio. Os membros compartilham sabedoria, risadas, frustrações e biscoitos horrorosos, além de a incentivarem a investir em Sam. Tudo parece começar a se encaixar, quando alguém do passado de Will surge e atrapalha os planos de Lou, levando-a a um futuro totalmente diferente. Lou que não consegue deixar alguém para trás, faz de tudo para ajudar as pessoas e na verdade não olha para a própria vida porque tem medo de viver. Ela ajuda seus pais, avô, irmã e sobrinho a passar pelas mudanças e transformações da vida. Jojo Moyes tem um estilo único de escrever que aprecio muito, ela enreda romance, drama e humor como ninguém. Você se permite rir em vários momentos. Todos os personagens são cativantes e divertidos em graus diferentes, o que torna a narrativa em primeira pessoa de Lou fascinante e não nos permite desgrudar do livro até o final. Talvez pela evasão que exista no final, fica a questão se um terceiro livro seria possível no futuro, mas que não se faz realmente necessário. O li em quatro dias e sempre que um livro de Jojo chega ao fim, me sinto triste. O livro traz muitos elementos que não é possível relatar sem que eu estrague o fator surpresa da leitura, mas Sam, um personagem no estilo “príncipe encantado moderno e simples (porém não simples de encontrar)” e Lily, uma adolescente rebelde e irônica são os pontos fortes do livro e Lou é uma personagem impossível de não se emocionar e torcer. O fator que mais me agrada nos livros de Jojo são as histórias cotidianas, de pessoas comuns, sem floreios e encantamento, mas que com sua grande habilidade e dom, transformam em peças raras nas estantes.

Até a próxima 🙂

Resenha: Um teto todo seu – Virginia Woolf

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Tordesilhas – 2014 – Mulheres e Literatura – 189 páginas – Nota4♥♥♥♥.

Em uma de minhas pesquisas sobre o assunto, descobri este livro escrito em 1928 sobre um ensaio referente mulheres e a ficção que seria apresentado em uma palestra para uma universidade para mulheres na Inglaterra naquela época. Posteriormente, seus artigos extensos foram copilados e publicados em livro. Mistura estilo acadêmico e um discurso ficcional sobre o assunto. Feminista, sem ser radical, Virginia utilizou-se de metáforas e ironias, que em certos momentos tive de recorrer à internet para entender do que se tratava. Em uma dessas pesquisas, descobri que a Editora Nova Fronteira já havia feito uma publicação anterior a essa do livro, que encontra-se acessível a todos, em PDF, na internet, apenas com um conteúdo menor, sem o posfácio e sem trechos do diário de Virginia. A analogia do gato sem rabo sobre como as mulheres são vistas pela sociedade e sobre a inventada irmã de Shakespeare foram pontos altos da leitura. Virginia deixou muito mais questionamentos e perguntas sobre o tema do que respostas e isso foi feito de maneira intencional, afinal, baseado em suas pesquisas é fato afirmar que na realidade o tema em si, mulheres e ficção não existia porque seria impossível acontecer sem um teto para si e uma independência financeira mínima que fosse. Abaixo farei um resumo do livro e após, uma análise minha sobre o assunto. Porquanto deixo a vocês as palavras de Noemi Jaffe (Posfácio):

“…há praticamente um século da publicação do ensaio, as conquistas femininas são ainda maiores, em grande parte do mundo, divórcio, pílula anticoncepcional, realização profissional em todas as frentes, direito pleno ao estudo, educação mista, escolha ou não da maternidade, possibilidade de criar um filho sozinha, homossexualidade em discussão permanente, salários cada vez mais próximos aos do homens e, no Brasil, uma presidenta”.  Página 168.

O que me leva a questionar sobre o que ocorre no exato momento no país de que se Dilma fosse do gênero masculino, a abordagem violenta contra ela seria igual, ela seria avaliada da mesma forma?

O livro tem a premissa de que uma mulher para conseguir ser escritora, precisa de um teto todo seu (título da palestra e do livro) e 500 libras por ano.

Ela escolhe uma personagem para essa narrativa, apesar do uso da primeira pessoa, Mary Seton ou Carmichael. Mulher comum, culta, que possui as duas condições expostas para escrever. Ela não observa o mesmo ao seu redor. Na própria universidade é possível ver o contraste na forma com que mulheres e homens são tratados. Na biblioteca ela faz uma extensa pesquisa sobre a história da escrita feminina e constata que quase não existiam escritoras e que quando existiam, as mulheres não conseguiam retratar homens e existia uma amargura na escrita, pois as mulheres eram conscientes de que suas palavras seriam subjugadas. A autora reflete sobre a opinião dos escritores sobre as mulheres, alguns as desprezam, outros temem, outros idealizam. Expõe o paradoxo entre a condição privilegiada da mulher na ficção retratada pelos homens, sendo as personagens femininas da literatura normalmente fortes, guerreiras e heroínas. Ela cita diversos nomes conhecidos e termina a narrativa com sua própria voz, evitando medições, sugere que cada uma escreva o que tem vontade e não se importe se isso será relevante para a sociedade ou não.

Trazendo reflexões para a literatura, a história e a filosofia, para ela é evidente que seria impossível existir uma escritora com as mesmas honras de escritores por diversos motivos, a própria forma como as mulheres eram criadas, sem poder ter liberdade de pensamento, sem poder sair de casa, sem estudo, sem poder te ter suas ideias ouvidas, precisando focar no lar e na criação dos filhos de forma forçada e imposta, sem poder sequer entrar em uma biblioteca desacompanhada, sem dinheiro, sem um lugar para escrever e as poucas mulheres que se aventuravam, usavam de pseudônimos para fugir do estereótipo, o que tornava impossível medir a real quantidade de escritoras femininas e se houve nomes do gênero masculino conhecidos que na verdade fossem mulheres. As mulheres até o século XIX não poderiam receber premiações da área, assim como quase tudo lhe era negado. É tangente a oscilação de humor e certo ar depressivo da autora em seus trechos de diário. O livro termina com a cronologia da escritora, seus outros trabalhos, finalizando em 1941 quando ela deixa uma carta ao marido e se suicida em um lago.

Portanto, me arrisco de forma agressiva a dizer que quando ouço uma mulher dizendo que não precisa do feminismo, respondo mentalmente que se dependesse da postura dela, ela não poderia nem estar opinando e eu não poderia nem criticá-la abertamente caso tivesse vontade.

Sobre a legislação brasileira:

1932 – Voto feminino é reconhecido;

1950 – Flexibilização da exigência que condicionava o trabalho feminino à autorização marital;

1962 – Mulher casada deixa de ser considerada juridicamente incapaz;

1977 – A lei do divórcio entra em vigor;

1988 – Homens e mulheres possuem a mesma igualdade de direitos nas relações conjugais;

2001 – Passou a ser crime assédio sexual no ambiente de trabalho;

2002 – Fim da possibilidade de anulação de casamento caso o homem descobrisse que a mulher não fosse mais virgem;

2005 – o termo “mulher honesta” foi retirado da Legislação. Permitindo, assim, proteção à integridade física e a liberdade sexual de todas as mulheres;

2006 – Entra em vigor a Lei Maria da Penha;

2015 – Lei do Feminicídio entra para a lista de crimes hediondos.

E neste exato momento sei que ainda falta muito, que é preciso lutar, ainda não posso ser totalmente dona do meu corpo, das minhas decisões, da minha vida, das minhas roupas, dos meus horários, dos meus vícios, do meu sexo, tenho que ouvir bordões como “vai lavar uma louça” quando discordo da opinião de alguém.  Ainda tenho que assistir uma mulher que traiu o marido ser tratada como criminosa (mesmo adultério não sendo crime algum) e seu marido, que filmou e divulgou sua imagem, que a agrediu fisicamente e verbalmente, ser tratado como vítima por todos. Ver uma vítima de abuso ou estupro ser tratada como ré ou no mínimo invocadora da situação, apenas a esposa traída e a amante serem julgadas, a mulher ser a única responsável pela criação dos filhos e da casa quando algo dá errado, a mulher ser proibida de praticar um aborto e quando o faz de maneira ilegal ser execrada enquanto milhares de homens as deixam desamparadas e rejeitam a criança, esse abandono sendo tratado como corriqueiro. Uma mulher ser humilhada nas redes sociais porque desabafou sobre o cansaço psicológico e físico que sente ao cumprir “seu papel de mãe”. Uma mulher ser tratada como louca porque não concordou com um homem de mais de cinquenta anos dizendo que embebedava meninas menores de idade para facilitar o sexo e outra sendo ofendida por não ser dentro dos padrões de beleza e ser uma mulher comum, como a maioria, com seus quilinhos a mais e se amar e se aceitar assim, ser declarado, em pleno dia Internacional da Mulher, 08 de Março de 2016, que o fato dela ter “conseguido” um relacionamento com um homem bonito e de corpo sarado, seu grande prêmio de um reality show (Big Brother Brasil) em rede nacional na maior emissora do país.

Aqui termino meu pensamento, mas a minha luta, essa jamais cessará.

Resenha: Uma curva no tempo – Dani Atkins

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Edit. Arqueiro – 2015 – Ficção inglesa – 240 páginas – Nota5♥♥♥♥♥.

Comprei este exemplar por indicação de blogs literários, como sempre estou em busca de livros novos e incríveis. Narrado em primeira pessoa, por Rachel. Li em três dias e a história te prende e te deixa confusa até o fim. Com minha forte intuição, no decorrer da história eu já previa o final, sendo bem palpável e coerente. Romance diferente e original. A impressão que o livro me deixou é que nem tudo que parece bom ou ruim de fato seja. Depende do que cada pessoa precisa. E que a vida nos dá forças para fazer o que é preciso. Admito que adoro o pai de Rachel e torci por Jimmy desde o começo. Minha antipatia foi reservada à Cathy. Estou em uma sintonia para escolher livros trágicos, ainda que de modo involuntário. A capa é incrível até na textura. Adoro dar nota cinco a um livro e adoro ainda mais com os olhos nas páginas levar a mão ao peito em sinal de êxtase, sendo bom ou ruim e ele me proporcionou isso. 

Durante um jantar de despedida, no ano de 2008, às vésperas de irem para a faculdade, Rachel Wiltshire e seus amigos são envolvidos em um terrível acidente. Ela escapa com uma grande cicatriz no rosto, os demais tiveram poucos ferimentos, mas Jimmy, seu melhor amigo, não teve a mesma sorte. Dedicado a salvá-la, ele acaba atingido em cheio pelo carro desgovernado e morre no local. Já em 2013, cinco anos e pouco contato depois, o que restou do grupo está para se encontrar em um casamento. Assombrada pelas lembranças do passado e pela culpa pela morte do amigo é nítida a mudança em sua personalidade por tudo que ela viveu e perdeu. Rachel encara o retorno à sua cidade natal como um martírio que precisa enfrentar por Sarah, sua antiga melhor amiga. Lutando contra as dores de cabeça que a assombram desde o acidente e as lembranças do passado, ela decide encarar de frente os temores e visitar o túmulo de Jimmy. E aí seu apartamento humilde em Londres, o câncer de seu pai, o emprego sem futuro, a solidão após terminar com Matt e saber que ele está com Cathy, sua antiga amiga e todo o resto de sua vida sem sentido ficam para trás, misteriosamente, após sua queda ao lado do túmulo. Só que ela parece ser a única a perceber. Quando acorda no hospital, Rachel descobre que seu pai parece bastante saudável, que está noiva de Matt e eles nunca se separaram, que tem o emprego dos sonhos, um senhor apartamento e, o mais chocante de tudo, que Jimmy está vivo. Ela bem que tenta explicar a todos que aquela não é sua vida, mas acaba sendo tratada como alguém com amnésia. E será que essa nova realidade é tão ruim assim? Afinal, está cercada de amigos, de casamento marcado com o namorado de adolescência, tem a carreira que sempre quis no jornalismo e nenhuma culpa pela morte de Jimmy. Dividida entre essa nova realidade mágica e a verdade cruel que conhece, Rachel vai se deixando levar e tendo a oportunidade de retomar relacionamentos importantes e descobrir novas coisas sobre seus antigos amigos e sobre si mesma. É uma história dramática e romântica, além do suspense iminente que nos acompanha durante toda a história junto com a protagonista que sofre com as incertezas de suas vidas paralelas e com o fato de parecer ser a única a saber que existe uma outra realidade. Mas é justamente esse novo mundo descoberto que permite a aproximação entre ela e seu antigo melhor amigo e com um amor genuíno por ela. Eles partem em busca da verdade do que realmente está acontecendo com ela. O livro é fofo e impactante na medida certa, de leitura rápida pelo tamanho, mas de desenvolvimento lento, ao longo das páginas não se passa tanto tempo. E é exatamente essa demora no desenrolar dos fatos que permite que acreditemos mais em certas coisas e que o romance e todos os relacionamentos sejam valorizados. As coisas não acontecem do nada. E no final, tudo faz sentido.

Resenha: Proibido – Suzuma Tabitha

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Resenha: Proibido – Suzuma Tabitha – Valentina – 2014 – Romance inglês – 304 páginas – Nota 5♥♥♥♥♥.

Esta semana li três livros, “Proibido”, “A primeira chance” e “Procura-se”. Não tive dúvida nem por um segundo de qual deles eu faria a minha resenha semanal e vou explicar os motivos. Começo destacando a coragem e a ousadia dessa autora. Tema surpreendente e inédito, tabu de todos os tabus, história polêmica e é justamente por isso que o comprei. Já tinha ouvido elogios ao exemplar e ainda sim, ele me cativou e foi além das minhas expectativas. Há um estranhamento inicial devido ao tema que eu já sabia desde antes de comprar o livro. Senti-me bem confusa em relação aos meus sentimentos em relação a história porque minha concepção e ideia sobre esse assunto sempre foi vista com maus olhos e qualquer tipo de abuso, relação parental, assédio ou pedofilia sempre me causou um repúdio excessivo. Mas a história não é sobre isso, embora eu saiba que se um caso assim ocorresse na vida real, a sociedade a taxaria dessa forma e eu seria a primeira da fila. Então me fez refletir muito sobre não termos pré-julgamentos e tentarmos conhecer as histórias antes de fomentar o ódio e nossas opiniões. Nem por um segundo sequer lendo o livro o vi de forma ruim ou com qualquer sinal de desaprovação. A história é triste, bela, linda, o inverso de tudo que eu conhecia. Nunca me questionei sobre o assunto, até porque isso nunca seria possível para mim particularmente, mas sei que não se escolhe quem se ama, o amor pode nascer em qualquer lugar, em qualquer pessoa com relação a qualquer outra pessoa, sem distinção, acredito que não haja gênero, idade ou raça. O amor deve ser livre de qualquer preconceito. Somente faço a ressalva de que ele nunca deva ser forçado, manipulado ou doentio, até porque isso tem outro nome e NÃO é amor. O livro traz vários ângulos para análise. A mãe e o pai para mim são os verdadeiros vilões e os odiei do início ao fim. Em meio à adolescência, descobertas e problemas, fica nítido que em outras condições provavelmente esse amor não existiria. E que ele traz uma mistura de questões como o companheirismo, a união, a força, a proteção e o cuidado, que também são formas de amar. Questionei-me onde exatamente o sentimento surgiu. O por quê. É um livro chocante e triste. Quando finalizei, me senti destruída e abalada. Uma beleza dolorosa. E desde o começo eu já pressentia em como o livro acabaria e eu estava certa. Não foi surpresa, diria até que foi lógico e o mais possível. Escrito em primeira pessoa, Ele e Ela narrando a história no decorrer dos capítulos te aproximam e te sugam. Você tem a vontade de estar ali com eles, os amparando. A palavra incesto é mencionada apenas uma vez no livro, a palavra nua e crua. Mas durante toda a narrativa, é possível perceber tudo o que ela representa.

Vamos à história:

O livro é narrado pelo ponto de vista do Lochan e da Maya, os dois irmãos que se apaixonam, tornando possível vermos os sentimentos de ambos. A história se passa em Londres nos dias atuais. Lochan tem 17 anos e Maya tem 16, a diferença de idade entre eles é de 13 meses. Eles possuem três irmãos mais novos: Kit, de 13, Tiffin, de 8 e Willa, de 5 anos. O pai deles se separou da mãe quando Lochan tinha 12 anos e Maya 11 e desde então ele se tornou o homem da casa. A mãe deles é egocêntrica, egoísta e totalmente ausente, ainda que more na casa por um tempo. O pai os abandonou por uma mulher mais nova, se mudou para a Austrália e formou uma nova família, o pai não ajuda de forma alguma e não existe contato. Após ser abandonada, a mãe deles surtou e resolveu viver a juventude que ela perdeu ao ter se tornado mãe de cinco crianças muito cedo. Ela culpa constantemente Lochan por todos os fracassos que ocorreram em sua vida, pois por estar grávida dele que ela diz ter se casado tão cedo e a vida dela ter acabado. Ela é uma pessoa completamente desestruturada que precisa de um psicólogo. A família recebe ajuda do governo, mas mora em um bairro pobre e mal tem o suficiente para sobreviver. Tendo um trabalho, um namorado e fazendo turnos extras, a mãe gasta quase todo o dinheiro que ganha em roupas e presentes para si mesma, não estando nem ai para os filhos. Alcoólatra de marca maior, quando não está fora de casa com o namorado está bêbada no sofá. Lochan e Maya desde quando o pai foi embora cuidam dos irmãos menores juntos como se fossem os pais. Eles levam e buscam na escola, fazem comida, cuidam da casa, da roupa, do dever de casa, da hora de dormir, da higiene pessoal e tudo o mais. E porque eles fazem isso? Eles escondem das outras pessoas o vício da mãe para que não sejam separados e enviados para um orfanato onde nunca mais se veriam. Suportam tudo para que possam ficar juntos como a família que são. No decorrer do livro, percebemos que Maya é o porto seguro de Lochan, o que o mantém forte, é a ela a quem ele recorre, e por mais que eles sejam irmãos você não sente a relação de irmãos entre eles porque eles se tratam como iguais. Ambos não escondem nada um do outro, discutem todo e qualquer problema, dividem as responsabilidades e se tratam como iguais. Veem-se como iguais e se apoiam mutuamente, e é dai que o amor deles nasce. A Willa, de 5 anos, é a única coisa leve do livro. Ela é feliz e nunca reclama de nada, apesar de saber que a vida não é justa. Tiffin é o típico garoto hiperativo de 8 anos de idade que adora jogar futebol e não quer tomar banho ou fazer o dever de casa. E Kit é o super revoltado de 13 anos que não se conforma em ter sido abandonado pelos pais, não respeita os irmãos e faz de tudo para dificultar a vida de Lochan. Ele é implicante, mimado, e eu senti raiva dele várias vezes ao longo do livro. O livro não tem apelo sexual algum. A relação entre Lochan e Maya não é forçada, eles tentam esconder o que sentem um do outro e até mesmo se recusam a acreditar que sentem algo além da relação de irmãos/amor de verdade um pelo outro.

Resenha: Livros lidos no mês de Fevereiro de 2016.

Presentes da Vida – Emily Giffin – Novo Conceito – 2011 – Ficção norte americana – 383 páginas – Nota3♥♥♥.

Beleza Perdida – Amy Harmon – Verus Editora – 2015 – Ficção americana – 332 páginas – Nota4♥♥♥♥.

A sorte do agora – Matthew Quick – Intrínseca – 2015 – Romance americano – 224 páginas – Nota3♥♥♥.

Eu sou o mensageiro – Markus Zusak – Intrínseca – 2007 – Romance australiano – 320 páginas – Nota4♥♥♥♥.

5

Volteeeei!

Devo admitir que após a volta das minhas aulas juntamente com meu trabalho, neste mês que passou faltou-me energia para escrever (poderia dizer tempo, mas estaria sendo injusta). Porém nas últimas duas semanas eu venho ouvindo comentários tão positivos e encorajadores que resolvi escrever hoje sobre os quatro livros que li em Fevereiro. Eu sei, já fui mais rápida que isso, mas estou tentando retomar o gás, até porque tenho vinte livros na fila e mais trocentos que pretendo adquirir em breve haha. Saliento que o fato de neste mês que passou ter ouvido vários elogios, críticas construtivas, ter incentivado a leitura em algumas pessoas e até ganhado presente me fez um bem danado. Qualquer sugestão, “estamos aí”.

Aproveito para ressaltar que nenhum superou P.S.: Ainda amo você e este continua sendo meu livro favorito de 2016. Sei também que estou em débito porque falta resenhar alguns exemplares da categoria Cultura, mas neste mês eu ainda irei cumprir…com a força dos céus kkk. Pensei em escrever separadamente em quatro posts as resenhas, mas para facilitar A MINHA vida, resolvi juntar todos em um único post. Por isso fica o aviso, será um bocado longo. Espero que você esteja com tempo. Então, vamos aos trabalhos:

          Presentes da vida foi um exemplar que comprei simplesmente por amar esta autora, ela estar no meu top 3 e embora este livro não tenha contribuído para isso, ela continuará no meu ranking particular. Eu nem tinha conhecimento que este volume se trata de uma continuação do livro O noivo da minha melhor amiga, que virou filme com Kate Hudson (o filme eu já tinha assistido, mas não fazia ideia que se tratasse da autoria de Emily), ele conta a história de Darcy, uma mulher linda e fútil que após trair o noivo Dex com quem está há sete anos, com um dos padrinhos de seu casamento Marcus sendo amigo dele e ver que não ama o noivo, descobre que o seu noivo também mantinha um caso com sua melhor amiga, Rachel. Só que foi Rachel que lhe apresentou Dex, pois eles se conheciam há tempos e Rachel já gostava dele sem Darcy saber. Darcy explode de raiva e mantem seu relacionamento com Marcus até que se descobre grávida dele, só que seu jeito mesquinho, esnobe e superficial afasta todas as pessoas de perto, o que ela nunca antes havia sentido, pois com sua beleza, sempre conseguiu o que queria. Sendo rejeitada por Dex após tentar reatar, brigada com Rachel e abandonada por Marcus, sua família e amigos do trabalho, ela parte para Londres para se esconder na casa de um amigo em comum com Rachel de infância, Ethan, que na verdade não gosta nem um pouco da situação, mas com o passar da gravidez, ela vai se transformando em uma mulher generosa, amorosa, paciente, linda por dentro ainda mais depois que descobre que está gravida de gêmeos. Se envolve com seu médico, Geofrey e não gosta da namorada de Ethan, Sondrine. Mostra toda a sua gestação até o parto. Tenho que admitir que houve uma parte do livro que eu simplesmente detestava TODOS os personagens, por incrível que pareça, todos me pareçam errados e contraditórios. O livro traz uma reflexão sobre ação e reação, sobre causa e consequencia e sobre o que realmente importa que é a amizade e o amor.

          Beleza Perdida foi um livro que comprei após pesquisas eternas na internet em blogs e vlogs de leitoras e só ouvi elogios ao próprio. Ambrose Young é lindo, alto e musculoso, com cabelos que chegam aos ombros e olhos penetrantes. O tipo de beleza que poderia figurar na capa de um romance, e Fern Taylor saberia, pois devora esse tipo de livro desde muito cedo. Mas, por ele ser tão bonito, Fern nunca imaginou que poderia ter Ambrose, até tudo na vida dele mudar. Beleza perdida é a história de uma cidadezinha aonde cinco jovens vão para a guerra e apenas um retorna. É uma história sobre perdas – perda coletiva, perda individual, perda da beleza, perda de vidas, perda de identidade, mas também ganhos incalculáveis. É um conto sobre o amor inabalável de uma garota por um guerreiro ferido. Este é um livro profundo e emocionante sobre a amizade que supera a tristeza, sobre o heroísmo que desafia as definições comuns, além de uma releitura moderna de A Bela e a Fera, que nos faz descobrir que há tanto beleza quanto ferocidade em todos nós. É por isso que não tenho palavras para mensurar o quanto eu passei a amar Fern, Ambrose e Bailey. Os laços que os unem são fortes demais para serem quebrados. De um lado temos Fern, uma garota bondosa e repleta de bravura que aos olhos daqueles que não sabiam enxergar, era considerada feia demais. Ela amava incondicionalmente Ambrose, porém, ele era a estrela do time de luta da sua escola e nunca correspondeu os seus sentimentos. Ela se magoou, se sentiu humilhada, mas aquele amor parecia fazer parte de sua alma. Quando ele partiu para a guerra no Iraque, após o atentado de 11 de setembro e levou junto com eles os seus amigos de time, ninguém esperava que quando ele voltasse estaria tão diferente. Entretanto, com um corpo cheio de cicatrizes e fantasmas demais para carregar, ele se sentia como Atlas, com o peso do mundo em suas costas. Fern queria aliviar sua dor, mas ele não se sentia digno dela. Não depois de tê-la magoado tanto. Bailey queria ver sua prima feliz e segura, por isso, fez tudo o que estava ao seu alcance para que o seu antigo ídolo de escola visse além das suas próprias dores e enxergasse nele um exemplo de alguém que possuía os dias contados, mas que não deixava que a vida o derrotasse. Bailey nutre um amor por Rita, ex de Ambrose, e ela também gosta dele, mas as condições o impedem de ficar juntos e ela se vê em um relacionamento abuso e conta com ajuda de Fern, sua melhor amiga. Esse conjunto de personagens tão intensos fez a tarefa de me manter sem lágrimas algo muito difícil. O livro te leva a rever conceitos e o modo como se enxerga a vida. Não se trata apenas de uma história de amor. Aqui, é possível ver um garoto preso a uma cadeira de rodas lutando por aqueles que ama, uma garota considerada feia e que exalava amor, e um jovem que teve que perder sua beleza física para poder ver que o que realmente importava escapava aos reflexos de um espelho.

          A sorte do agora adquiri devido a já conhecer o autor, por “O lado bom da vida” e ele manteve minha expectativa. Bartholomew Neil passou todos os seus quase 40 anos morando com a mãe. Depois que ela fica doente e morre, ele não faz ideia de como viver sozinho. Wendy, sua conselheira de luto, diz que Bartholomew precisa abandonar o ninho e fazer amigos. Mas como um homem que ficou a vida toda ao lado da mãe pode aprender a voar sozinho? Bartholomew então descobre uma carta de Richard Gere na gaveta de calcinhas da mãe e acredita ter encontrado uma pista de por que, afinal, em seus últimos dias a mãe o chamava de Richard. Convencido de que Richard Gere vai ajudá-lo, Bartholomew começa essa nova vida sozinho escrevendo uma série de cartas altamente íntimas para o ator. De Jung a Dalai Lama, de filosofia a fé, de abdução alienígena a telepatia com gatos, tudo é explorado nessas cartas que não só expõem a alma de Bartholomew, como, acima de tudo, revelam sua tentativa dolorosamente sincera de se integrar à sociedade. Original, arrebatador e espirituoso, sendo um livro inteligente e sensível. Uma história inspiradora que fará o leitor refletir sobre o poder da bondade e do amor. O livro é todo baseado nas cartas que Bartholomew escreve. Wendy, Padre McNamee, Max e a Meninatecária o levam a aventuras. Algo que me chama muito a atenção no autor é o fato dos seus protagonistas sempre serem peculiares, diferentes e fora de qualquer padrão convencional da literatura. Através da história, vemos claramente que todos possuem complexidades e são mentes problemáticas e imprevisíveis. Além de abordar temas desconexos e intrigantes, permeiando o surreal e o hilário.

          Eu sou o mensageiro foi um livro que li através do empréstimo de uma companheira que sempre me dispõe seus livros, porque ela sabe que eu cuido como se fossem pedras preciosas, assim como os meus, kkk. Claro que só espero o melhor desse autor, depois de ter lido em 2012 A menina que roubava livros e ter nota cinco e uma lembrança pra sempre em minha memória. Na época também li por indicação. Aproveito para dizer que amo isso. Ed Kennedy é um simples taxista que nos seus vinte anos de existência não possui sonhos e metas para o futuro. É apaixonado desde sempre por sua melhor amiga Audrey, mas até nisso ele é um fracasso, já que ela se envolve com qualquer um, menos com ele. Vive em uma casa alugada com Porteiro, seu cachorro guloso, idoso, fedorento e viciado em café, ele não faz nada além de trabalhar, ler livros e jogar cartas com seus amigos. Contudo, sua vida sem graça ganha um novo sentido quando em um ímpeto, azar ou obra do destino ele impede um assalto a banco e é visto como herói. Mas o que seria um ato isolado incrível na sua vida pacata prova-se apenas o primeiro teste diante de tudo o mais que acontece a seguir, já que a partir disso ele passa a receber cartas de baralho com informações que o leva até pessoas que de alguma forma precisam do seu auxílio e da mensagem que ele sem saber carrega. Entretanto, apesar de aceitar essa missão que lhe foi imposta, ele ainda quer saber quem está por trás de tudo isso e está determinado a não parar até descobrir o real significado de ser um mensageiro. Tem uma relação de ódio com sua mãe, falta de aproximação com seus irmãos, seu pai faleceu há alguns meses e embora fosse bom, bebia muito e sempre. Seus melhores amigos, além de Audrey, são Marv e Ritchie que se mantêm muito próximos por toda a história. Escrito em primeira pessoa, você logo cria uma empatia com Ed e em seu projeto forçado de ajudar as pessoas através dos quatro naipes de Ás que ele recebe, no total de doze pessoas e a última carta, que é o coringa. Os diálogos rápidos e a escrita informal mantem a leitura ágil e fluída. Um cara simples com uma vida mediana, até medíocre me arrisco a escrever, faz o leitor refletir sobre sua própria jornada sem sentido e desinteressante por esta vida. Ed se apaixona pelas pessoas que conhece e ajuda e eu me vi apaixonada pelos personagens também. Um livro que traz uma sensação de leveza ao peito.

Até a próxima 😉