Resenha: Proibido – Suzuma Tabitha

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Resenha: Proibido – Suzuma Tabitha – Valentina – 2014 – Romance inglês – 304 páginas – Nota 5♥♥♥♥♥.

Esta semana li três livros, “Proibido”, “A primeira chance” e “Procura-se”. Não tive dúvida nem por um segundo de qual deles eu faria a minha resenha semanal e vou explicar os motivos. Começo destacando a coragem e a ousadia dessa autora. Tema surpreendente e inédito, tabu de todos os tabus, história polêmica e é justamente por isso que o comprei. Já tinha ouvido elogios ao exemplar e ainda sim, ele me cativou e foi além das minhas expectativas. Há um estranhamento inicial devido ao tema que eu já sabia desde antes de comprar o livro. Senti-me bem confusa em relação aos meus sentimentos em relação a história porque minha concepção e ideia sobre esse assunto sempre foi vista com maus olhos e qualquer tipo de abuso, relação parental, assédio ou pedofilia sempre me causou um repúdio excessivo. Mas a história não é sobre isso, embora eu saiba que se um caso assim ocorresse na vida real, a sociedade a taxaria dessa forma e eu seria a primeira da fila. Então me fez refletir muito sobre não termos pré-julgamentos e tentarmos conhecer as histórias antes de fomentar o ódio e nossas opiniões. Nem por um segundo sequer lendo o livro o vi de forma ruim ou com qualquer sinal de desaprovação. A história é triste, bela, linda, o inverso de tudo que eu conhecia. Nunca me questionei sobre o assunto, até porque isso nunca seria possível para mim particularmente, mas sei que não se escolhe quem se ama, o amor pode nascer em qualquer lugar, em qualquer pessoa com relação a qualquer outra pessoa, sem distinção, acredito que não haja gênero, idade ou raça. O amor deve ser livre de qualquer preconceito. Somente faço a ressalva de que ele nunca deva ser forçado, manipulado ou doentio, até porque isso tem outro nome e NÃO é amor. O livro traz vários ângulos para análise. A mãe e o pai para mim são os verdadeiros vilões e os odiei do início ao fim. Em meio à adolescência, descobertas e problemas, fica nítido que em outras condições provavelmente esse amor não existiria. E que ele traz uma mistura de questões como o companheirismo, a união, a força, a proteção e o cuidado, que também são formas de amar. Questionei-me onde exatamente o sentimento surgiu. O por quê. É um livro chocante e triste. Quando finalizei, me senti destruída e abalada. Uma beleza dolorosa. E desde o começo eu já pressentia em como o livro acabaria e eu estava certa. Não foi surpresa, diria até que foi lógico e o mais possível. Escrito em primeira pessoa, Ele e Ela narrando a história no decorrer dos capítulos te aproximam e te sugam. Você tem a vontade de estar ali com eles, os amparando. A palavra incesto é mencionada apenas uma vez no livro, a palavra nua e crua. Mas durante toda a narrativa, é possível perceber tudo o que ela representa.

Vamos à história:

O livro é narrado pelo ponto de vista do Lochan e da Maya, os dois irmãos que se apaixonam, tornando possível vermos os sentimentos de ambos. A história se passa em Londres nos dias atuais. Lochan tem 17 anos e Maya tem 16, a diferença de idade entre eles é de 13 meses. Eles possuem três irmãos mais novos: Kit, de 13, Tiffin, de 8 e Willa, de 5 anos. O pai deles se separou da mãe quando Lochan tinha 12 anos e Maya 11 e desde então ele se tornou o homem da casa. A mãe deles é egocêntrica, egoísta e totalmente ausente, ainda que more na casa por um tempo. O pai os abandonou por uma mulher mais nova, se mudou para a Austrália e formou uma nova família, o pai não ajuda de forma alguma e não existe contato. Após ser abandonada, a mãe deles surtou e resolveu viver a juventude que ela perdeu ao ter se tornado mãe de cinco crianças muito cedo. Ela culpa constantemente Lochan por todos os fracassos que ocorreram em sua vida, pois por estar grávida dele que ela diz ter se casado tão cedo e a vida dela ter acabado. Ela é uma pessoa completamente desestruturada que precisa de um psicólogo. A família recebe ajuda do governo, mas mora em um bairro pobre e mal tem o suficiente para sobreviver. Tendo um trabalho, um namorado e fazendo turnos extras, a mãe gasta quase todo o dinheiro que ganha em roupas e presentes para si mesma, não estando nem ai para os filhos. Alcoólatra de marca maior, quando não está fora de casa com o namorado está bêbada no sofá. Lochan e Maya desde quando o pai foi embora cuidam dos irmãos menores juntos como se fossem os pais. Eles levam e buscam na escola, fazem comida, cuidam da casa, da roupa, do dever de casa, da hora de dormir, da higiene pessoal e tudo o mais. E porque eles fazem isso? Eles escondem das outras pessoas o vício da mãe para que não sejam separados e enviados para um orfanato onde nunca mais se veriam. Suportam tudo para que possam ficar juntos como a família que são. No decorrer do livro, percebemos que Maya é o porto seguro de Lochan, o que o mantém forte, é a ela a quem ele recorre, e por mais que eles sejam irmãos você não sente a relação de irmãos entre eles porque eles se tratam como iguais. Ambos não escondem nada um do outro, discutem todo e qualquer problema, dividem as responsabilidades e se tratam como iguais. Veem-se como iguais e se apoiam mutuamente, e é dai que o amor deles nasce. A Willa, de 5 anos, é a única coisa leve do livro. Ela é feliz e nunca reclama de nada, apesar de saber que a vida não é justa. Tiffin é o típico garoto hiperativo de 8 anos de idade que adora jogar futebol e não quer tomar banho ou fazer o dever de casa. E Kit é o super revoltado de 13 anos que não se conforma em ter sido abandonado pelos pais, não respeita os irmãos e faz de tudo para dificultar a vida de Lochan. Ele é implicante, mimado, e eu senti raiva dele várias vezes ao longo do livro. O livro não tem apelo sexual algum. A relação entre Lochan e Maya não é forçada, eles tentam esconder o que sentem um do outro e até mesmo se recusam a acreditar que sentem algo além da relação de irmãos/amor de verdade um pelo outro.

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