Resenha: Caixa de pássaros – Josh Malerman

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Intrínseca – 2015 – Ficção americana – 268 páginas – Nota4♥♥♥♥.

Comprei este livro após pesquisar na internet, já estava um pouco enjoada de romances e decidi procurar por algo diferente. Com a promessa de um excelente livro de terror, macabro, horrores altamente ficcionais, investi neste exemplar, muito bem criticado na mídia e está aprovadíssimo. Posso dizer que senti medo, aquele famoso friozinho na barriga, do início ao fim do livro, e vejamos, para mim que não me apaixono há tempos, foi uma sensação boa, esse tremor no estômago haha. Escrito em terceira pessoa, um narrador contando o ponto de vista da protagonista da história, Malorie, não chega a nos afastar da história. Não é meu gênero de escrita favorito, mas gostei. Malorie, uma jovem adulta vive com a irmã e se descobre grávida acidentalmente em meio a um caos que cresce no mundo. Um detalhe na história. Que foi algo que me questionei até os momentos finais, o fato da mãe não ter um nome definido aos filhos, porém o autor muito perspicaz deixa claro o porquê sem explicar de fato o motivo no fim do livro. O personagem que mais gostei e torci foi Tom. Gostaria de conhecer alguém com tamanha bravura e generosidade. Sobre um olhar inovador, uma história criativa e assustadora, o livro nos transporta para uma ficção inimaginável e a audácia do autor me surpreendeu. Se eu pudesse definir o livro em uma palavra, seria MEDO. Um medo quase palpável, real. Ao longo da história me descobri negando muitas coisas, se eu estivesse na história, se isso acontecesse na realidade, eu provavelmente seria a pessoa mais bundona de todas, pois durante os acontecimentos só conseguia pensar “não faça, não abra, não vá”. Cheguei a cogitar diversas teorias sobre o livro e há uma loucura que o medo causa que se percebe justificadamente possível. Malerman sabe preender o leitor e levei quatro dias para lê-lo apenas porque preciso trabalhar e estudar, sorry. Por mim, teria lido de uma só vez.

Sinopse: Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 30 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem.

Acompanha Malorie no presente e há quatro anos, quando “O Problema”, como se chamam os surtos, teve início. Os capítulos são alternados entre estes dois pontos da narrativa. Achei interessante o fato de até pouquíssimo antes do fim eu não saber exatamente o que aconteceria. De muitas formas Malerman conseguiu incutir um clima pesado e tenso de um terror que vai se infiltrando pelas beiradas, assombrando com barulhos e sensações. Tudo começou com rumores. Um incidente aqui e ali. Pareciam ser casos isolados, afinal a loucura sempre atingiu a humanidade, e vemos casos insanos o tempo todo na TV. Mas então, estes casos começam a ganhar mais e mais força, espalhando-se por vários pontos do planeta, de formas muito semelhantes. Não poderia ser coincidência. A pessoa tem um acesso de loucura, de raiva, ataca quem estiver próximo e depois se mata. As mortes são cruéis. E aparentemente o surto começa quando a pessoa vê alguma coisa. Ninguém sabe dizer o quê, seja um monstro, uma pessoa, um animal, um espírito, afinal quem viu está morto. Os detalhes deixam um ar grotesco, mas para quem já leu o livro The Walking Dead (euzinha), foi bem tranqüilo. As pessoas começam a não sair mais de casa. Os mais sensatos cobrem janelas com lençóis escuros, tábuas e papelão. Com o tempo as autoridades somem, a TV e internet não funcionam mais, há apenas um locutor que ainda resiste no rádio, não há luz nem telefone. E há apenas escuridão. Não há mais como olhar para o exterior, não há mais como sair sem estar vendado ou de olhos fechados. Não há mais como viver sem medo de abrir e ver algo que não deveria estar lá fora, espreitando, esperando. O que seriam estas coisas que traziam loucura para quem os olhasse? Uma loucura, uma insanidade terrível capaz de destruir a vida? Criaturas? Há quatro anos Malorie vai até uma casa e ali encontra abrigo junto a um grupo de pessoas. Entre estas pessoas está Tom, um ex-professor que se tornou uma espécie de líder e de alicerce para os outros sobreviventes da casa. Em uma mistura de suspense psicológico e drama o autor nos mostrou todas as facetas dos personagens, e como a ruína do mundo exterior os estava afetando. A tensão no livro não se deve apenas ao medo do que está lá fora, mas o medo da fome, da insanidade se infiltrando aos poucos na mente de cada um deles. É difícil manter a mente sã quando tudo o que se pode fazer é ficar preso dentro de uma casa com cobertores cobrindo as janelas. Com medo de olhar por qualquer fresta e perder a vida. Ter que se cegar para o mundo exterior e tomar decisões em que o certo e simples não existe mais. Perturbador o fato de precisar haver um esforço colossal para permanecer vivo e são, mas para quê? Para qual mundo? Afinal o mundo parece ter acabado.

Para finalizar, achei a capa e o volume favoráveis à leitura , assim como todo o conteúdo.

Até logo ;).

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