Resenha: A mulher que não prestava – Tati Bernardi.

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Panda Books – 2006 – Crônica brasileira – 148 páginas – Nota 3♥♥♥.

Comprei este livro porque já li textos e frases da autora que na verdade nem sei se o são de fato, mas estavam em nome dela e tinha curiosidade de conhecer algum de seus trabalhos. Seu jeito hilário e irreverente me chamou a atenção. Esse exemplar me despertou interesse, escrito em 2006, não sendo recente, mas estava na promoção e comprei. De início acreditei que o livro, devido ao título, se tratava de uma obra sátira de como a mulher é vista e julgada pela sociedade, acreditei se tratar de um livro de gênero. Porém não é.

É um livro particular, privado sobre sua vida, suas histórias, seus romances, não entrando no mérito de teorias e pensamentos profundos.  Textos pessoais, seu cotidiano de vida, são engraçados, fáceis e curtos de ler em formato pequeno. Alguns pontos me fizeram rir, outros eu discordei, mas não me ative a isto, sendo o ponto de vista e pensamentos dela, embora eu não concorde. O lado dela de ser sincera demais sempre e os fardos que isso traz à vida, me fizeram sorrir pelo simples fato da semelhança que tenho em mim. Quando somos transparentes, autênticas, de postura forte, dizendo o que pensa quase sempre, paga-se um preço, o de não atrair a todos, não agradar a muitos. Mas não conseguir fazer e ser diferente, mesmo que quisesse e tentasse é uma verdade dura. Não pensar para falar. Rótulos e tendência à chatice fazem parte do pacote. E ela também se considera chata. Quando temos a necessidade de nos mostramos como somos, porque do contrário isso pesaria em nossas consciências e coração, não há muito que se fazer. Retrata a vida sem floreios, com defeitos e imperfeições. Tédio, contradições, complicações, comportamentos e encaixes que às vezes são quase obrigatórios. Reflito muito sobre questões de educação X falsidade, sinceridade X maldade e o ponto mais questionável é que o limite do fim de um é o início da prática do outro. Gostei do fato de ser uma editora nova, pois nunca tinha comprado nada deles e adoro isso. O livro mostra principalmente que toda mulher tem um pouco de loucura e que isso é normal.

Contado em formas de crônicas, separado por capítulos, temas que ela conta como terceira pessoa, embora saibamos que é ela que narra a história e é dela os acontecimentos. Trata-se de textos já publicados em seu blog e nas suas colunas nas revistas VIP e TPM anteriormente. No livro ela utiliza os bordões “tipo assim, irado” e então me recordei da personagem Tati, da atriz Heloísa Perisse, que até assisti o filme e me lembrei de que é criação da autora.  

Segue alguns trechos que achei interessante no livro: “Aprendi que ser a gente mesmo tem seu peso, principalmente quando sentimos a necessidade de realmente ser”. Pág. 29. “Onde está a diversão? Levantar da cama para quê? Overdose de ir empurrando com a barriga” Pág. 79. Vida chata. “Você disfarça, a vida toda, disfarça. Pra não parecer louco, fraco demais e alvo de críticas. Você passa a vida cego para poder viver. Porque enxergar tudo de verdade dói demais e enlouquece e louco acaba sozinho” Pág. 90. “Saudades de tudo porque a ideia é reclamar. Nunca satisfeitos, felizes. Queremos só o que não temos e quanto temos, não queremos” Pág. 96.

Volto amanhã com outra resenha 🙂

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