Resenha: Ainda estou aqui – Marcelo Rubens Paiva.

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Objetiva – 2015 – Literatura brasileira – 296 páginas – Nota 4♥♥♥♥.

Nunca tinha lido nada dele, mas há um tempo, rolava uma curiosidade. Escritor, dramaturgo e jornalista, ouvi ótimas críticas quanto aos seus livros e decidi pelo mais recente. A ideia inicial é se tratar de uma biografia, uma descrição de sua vida, em forma simples. Porém o livro vai muito além. Uma surpresa incrível. Dois pontos cruciais do livro são sobre o desaparecimento de seu pai, Rubens Paiva, em 1971 pelos militares durante a Ditadura militar. O livro narra de forma simples e sem excessos ou qualquer sensacionalismo a época de 1960 a 1980, intercalando as histórias da infância e adolescência de Marcelo, como um livro de memórias ou um diário, mas trazendo todas as informações que ao longo de quarenta anos foram sendo descobertas. O segundo ponto é sobre a doença da mãe, o Alzheimer, que a atinge na maturidade, sendo narrado de forma informal, cotidiana e fácil, mas trazendo informações importantes aos leigos que pouco conhecem sobre a doença e passam a descobrir sintomas e estágios (eu). A narrativa é fluída, contínua e rápida. Lê-se fácil. A ditadura é um assunto que me interessa e atualmente estou focando para conhecer além do raso. Mas contrariando o esperado, a heroína deste livro e desta família, quem sabe, dessa vida, é Eunice Paiva, a mãe de Marcelo que traz uma força, coragem e resignação durante toda a sua história de vida. É fácil entender a dor e a angústia desta família e usar de referência para nosso presente que tem se tornado mais conservador e obscuro, causando receio ao que nos espera no futuro. Um livro de história, de conhecimento, de memórias, de amor e ensinamentos. Vontade de conhecer e abraçar essa família, inclusive Rubens Paiva.

Descobri somente após terminar a leitura que o livro seria quase como uma continuação de Feliz Ano Velho, escrito em 1982 pelo mesmo autor, que focava na vida dele, na sua recuperação de um acidente que o deixou tetraplégico, falando apenas por cima dos episódios relacionados à ditadura. O que me despertou a vontade de comprar, pois gostei bastante da forma de escrever do autor e me agradaria conhecer mais sobre a família Paiva.

Sinopse: Trinta e cinco anos depois de Feliz ano velho, a luta de uma família pela verdade. Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas. Nunca chorou na frente das câmeras. Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para contar — e tentar entender — o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971. (Objetiva).

 

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