Resenha de Livros: 1984 –George Orwell.

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Companhia das Letras – Edição 2009 – Romance inglês – 414 páginas – Nota 5♥♥♥♥♥.

Olá, olá, olá!

Muita animação para falar desse livro. Quem me conhece, sabe o quanto eu queria poder ler, porém estava há meses esperando um desconto em qualquer canto possível, pois seu preço normal (cheio) é R$ 49,90 e eu não tinha encontrado por menos de R$ 39,90 e como todos sabem, não tenho coragem de pagar isso em apenas um livro por mais que eu deseje lê-lo. Só que por uma benção dos céus, estava eu visitando uma amiga, e claro, assim que vi uma caixa de livros do irmão dela, comecei a fuçar nos títulos, mesmo sem autorização (sorry, eu sei que isso é feio) e encontrei ESTE livro. Na mesma hora, o implorei emprestado (e já fiquei de olho nos próximos que desejo pedir também hahaha). Não preciso nem dizer que o passei na frente de todos os outros, inclusive os que chegaram semana passada sem dor alguma na consciência.

Comecei a leitura logo e apesar do formato médio do livro e letras médias, com margens médias também, não consegui ir muito rápido na leitura, porque eu queria realmente absorver o texto, entendê-lo. Escrito em primeira pessoa, do jeito que eu gosto, através do ponto de vista do protagonista, o livro é detalhista, mas não tanto a ponto de me dar sono. O assunto por si só é extremamente interessante pra mim, porém a escrita romanceada facilita a leveza da leitura.

O autor, Orwell é um pseudônimo, reconhecido mundialmente, tendo escrito outros clássicos como a Revolução dos bichos (que ainda não li) e dedicando-se a escrita após ter tido outras profissões. A publicação foi feita em 1949, pouco antes da morte do autor em 1950. Uma história inteligente, visto que narrava o futuro e o livro mais incisivo na área da política. O livro conta com três posfácios que analisam o texto de Orwell, o último realizado em 2003. O tema central é uma utopia negativa, baseada na desesperança do homem quanto ao presente e ao futuro. A perda da individualidade pela coletividade e a natureza humana modificada pelo homem.

As partes principais do livro são primeiro O Partido, segundo a personagem Julia e terceiro A rendição. Já prevemos o final antecipadamente e ainda assim, causa certo furor.

Winston, 39 anos, separado a dez anos de uma esposa sem ínfimo entrosamento, Katherine e tendo seus pais desaparecidos, levados pelo Partido, deixando o protagonista solitário. Mora em Londres, retratada como parte da Oceania, uma das três potências mundiais, ao lado de Eurásia e Lestácia, vive em um apartamento sozinho a não ser pela vigília constante imposta pela teletela, instalada para supervisionar todas as pessoas. Ele trabalha para o Partido, recriando, inventando e destruindo a história do país manipulando o passado para que o Grande Irmão mantenha o sucesso e a submissão de todos. Ele não concorda com a forma que vivem. Ele começa um diário no qual se rebela escrevendo seus pensamentos e sentimentos.

O Partido é liderado pelo G.I. e controla a vida de toda a população. Não existe vontade, liberdade e autonomia. Controle absoluto do Estado. É uma crítica ao Socialismo, Capitalismo e Comunismo. Ficando a dúvida de qual é pior. Crítica a qualquer ditadura e totalitarismo. Não pode questionar, falar o que pensa, seus pensamentos, sonhos, expressões faciais são estudadas todo o tempo. O sexo (necessidade fisiológica do ser humano é considerado crime, passam fome (rações mínimas de comida ruim, lembrando o nazismo), ganha mediocremente, mal conseguindo se vestir com seus salários do governo, as pessoas são presas, torturadas e mortas ou desaparecidas (fascismo) por qualquer dúvida que exista quanto à sua total obediência e sua vida é apagada dos registros, nunca tendo existido oficialmente, não se é livre para ir e vir, os servidores do Partido não devem circular na área dos proletários e qualquer lugar da cidade diferente do caminho habitual é questionado. Todos os direitos básicos são negados, não existem heróis e existe total lavagem cerebral que isto é bom. O poder cria a realidade e a verdade. Verdade móvel, de cada um. Até onde vai sua humanidade, coragem, justiça, verdade e fé?

Total manipulação do povo, que desde a infância serve ao Partido, aceitando, elogiando e enaltecendo o modo que são tratados. Que regozijam quando há enforcamentos em praça pública (um retrocesso á época da escravidão). Pavor e medo são sentimentos constantes. A mídia serve ao Estado. Não entrarei no mérito de comparações com os dias atuais políticos do país, pois não desejo a parcialidade, embora caiba muito bem aqui. Todos se chamavam de “camaradas”.

A nova linguagem usada, Novafala, e seu propósito é primorosa para ilustrar o quanto um país abusador deseja que seu povo seja o mais ignorante possível e o porquê (restringir o acesso ao ensino médio e superior é isso)e o quanto essa letargia é bem vinda aos olhos de todos, pois sofrem menos não tendo dimensão da realidade cruel e injusta que vivem. Não irei detalhar os acontecimentos na história de Winston, tanto as memórias dele que se referem ao passado, quanto ao presente em 1983. A intercalação de ambas funciona bem. Ainda que confusa no início do livro, a história é narrada de forma envolvente, que me prendeu o tempo inteiro.

Alguns personagens importantes como Goldstein, citado como inimigo maior do Partido, mas nunca visto; Julia, amante de Winston, que lhe devolve a felicidade e vontade de viver, dá ânimo à história. Narra toda a história do envolvimento deles às escondidas e que o autor sabia que conquistaria o leitor. Ela é esperta, não muito perspicaz e dúbia, contrariada com o Partido, mas servindo – o exemplarmente; O´Brien, que inspirava Winston, sendo seu herói e seu algoz, o personagem mais cínico e fascinante da história; Sr. Charrigton, senhor que ajuda Winston; Syme, companheiro de trabalho e Parsons, família vizinha do protagonista totalmente fiel ao Partido.  Vale a pena a leitura e a reflexão.

Minha resenha ficou extensa, mas achei importante ressaltar tudo acima.

Sinopse oficial: Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que ‘só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade – só o poder pelo poder, poder puro.

Beijos e até Quarta-feira.

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7 comentários sobre “Resenha de Livros: 1984 –George Orwell.

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