Resenha de Livros: Capitães da areia – Jorge Amado.

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Companhia das Letras – Edição 2008 – Ficção brasileira – Lido 22/01/2018 – 294 páginas – Nota 5.

Sinopse: Capitães da Areia é um drama de autoria do escritor brasileiro Jorge Amado, escrito em 1937. A obra retrata a vida de um grupo de menores abandonados, que crescem nas ruas da cidade de Salvador, Bahia, vivendo em um trapiche, roubando para sobreviver, chamados de “Capitães da Areia”. O livro forma parte do movimento da Romance de 30, marcando uma mudança do modernismo da década anterior, passando de experimentação literária para um engajamento com questões sociais. A perspectiva crítica de Jorge Amado pode ser percebida na composição do núcleo de personagens principais. Essa foi a primeira vez que um menino de rua, fora da lei, assume o papel de protagonista em uma obra literária brasileira. Neste livro, Jorge Amado retrata a vida nas ruas de Salvador, capital do estado brasileiro da Bahia, naquela época afetada por uma epidemia de bexiga (varíola); o aparato policial destinava-se à perseguição pura e simples dos menores infratores, encontrando mesmo prazer na tortura, sem qualquer senso de justiça. Diante do ambiente hostil em que vivem, o grupo de meninos abandonados reage de forma também agressiva, mas de forma a encontrar nas ruas uma certa liberdade; tem por refúgio um velho trapiche (espécie de armazém) abandonado, numa das praias da capital baiana – de onde vem o nome do grupo. Esse trapiche é a única referência de “lar” que possuem; é onde se abrigam, se escondem, e vivem como família. Sua descrição ocupa lugar de destaque no início da obra. Ali constroem suas próprias regras, são os senhores e é objeto de investigação pelas autoridades, que desconhecem onde os mesmos se ocultam. Localizada na Cidade Baixa, parte da capital baiana onde está a zona portuária, é contudo na residencial e mais rica Cidade Alta que os menores realizam suas ações infratoras.

Boa noite, queridos leitores.

Estou inspirada e resolvi resenhar outro livro que terminei de ler hoje. Volto a seguir meu script comum.

Motivo da compra: Quis ler este livro por ser indicação de um dos melhores livros por alguns booktubers no fim do ano passado. Confesso que nunca havia lido Jorge Amado e supus erroneamente por se tratar de um clássico que seria uma leitura difícil, doce engano. O consegui através de empréstimo pela Biblioteca Municipal da minha cidade e sempre faço questão de propagar isso para incentivar à todos que não possuem recursos financeiros para compra de livros a lerem sempre também. Leitura importante aos vestibulandos da vida.

Referências: Este livro foi publicado originalmente em 1937 e sofreu forte censura por ser tratado como livro de caráter comunista. Não irei me ater ao fato de ser ou não e sim ser um livro meramente real e empático. Pude entender o sucesso do autor. Sua história é forte e importante. Traz pautas atemporais, presentes ainda hoje.

Capa e título: Capa azul e ilustrando capoeiristas, gostei bastante. O título também é direto e simples.

Formato do livro: Em letras e margens grandes, torna a leitura bem rápida.

Escrita: Bela surpresa observar a forma de narrativa do escritor, misturando lirismo, texto descritivo e algumas páginas em formatos de leads de jornais, desde o início da leitura torna-se prazerosa.

História: Conta sobre um grupo de garotos abandonados à própria sorte, sem família e sem moradia e as aventuras do dia a dia para conseguirem seu sustento de maneira moralmente errada, furtando e roubando pessoas. O plano de fundo é a cidade baixa de Salvador na Bahia. Se escondem em um trapiche e se aventuram por toda a cidade durante o dia. Torna-se impossível não torcer pelo bem desses meninos. É fácil se solidarizar com suas dores e rancores. Garotos que não possuem nada, sem amor, sem carinho, sem educação, com fome e sede, tratados como delinqüentes e maltratados pela vida e pela sociedade. Não encontram um caminho melhor para sobreviver, apesar de sonharem com um lar, um futuro digno e brilhante. Mostra toda a trajetória desses garotos até os dezoito anos com seus respectivos desfechos. Estadias e fugas de reformatórios e cadeias, assaltos em casas, planos mirabolantes, estupros de meninas inocentes são as partes pesadas do livro. Porém o sentimento de lealdade e união dos meninos, a solidariedade entre eles, a necessidade de afeto amenizam e cativam o leitor.

Gêneros: O livro é pautado pelo drama, com doses de humor e muitas aventuras. Ação através do enredo, o livro torna-se ágil. Emoção e romance também aparecem nas páginas.

Personagens principais: Pedro Bala é chefe do bando e é movido pelo senso de injustiça social. Sem-pernas é o mais revoltado e Volta Seca com estilo de cangaceiro, Professor que é um leitor voraz e sonha ser pintor, Boa-vida que é um malandro, Pirulito que sonha em ser padre e Gato iniciante como cafetão são quem têm suas histórias contadas.

Personagens secundários: Padre José Pedro e Don’Aninha que é mãe de santo são as duas únicas pessoas que se importam e ajudam os capitães da areia. Dora, a única menina do trapiche é outra figura importante na história, apesar de curta.

Trecho preferido: Páginas 266 e 267. Segue um trecho:

“Companheiros, chegou a hora…

A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres…Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala”. O autor consegue fazer um resumo de todos os personagens de forma poética e intensa. Emocionante.

Observações: O livro conta com o ótimo posfácio de Milton Hatoum, escritor renomado e professor de literatura e ainda com uma cronologia de 1912 a 2001. Termina com fotos e imagens finais sobre o autor e o livro. Tratar de um problema social existente no Brasil e se mostrar contra a desigualdade ainda é mau visto por muitos conservadores, mas o autor não incita a violência, ele apenas explica que isso é uma conseqüência e não o início do problema.

Recomendo: Muito!

Agora preciso ler Jubiabá, romance anterior do autor e que trata também de problemas sociais.

Boas leituras e até a próxima.

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8 comentários sobre “Resenha de Livros: Capitães da areia – Jorge Amado.

  1. Sugiro que leiam, também de Jorge Amado, para estudo e comparação com os tempos atuais, o livro “Os subterrâneos da liberdade”. Originalmente, o livro foi lançado em um só volume, mas agora estão dividido em três: “Ásperos tempos”, “Agonia da noite” e “A luz no túnel”. Ainda de Jorge Amado, sugiro: “Cacau”, “Suor” e “País do Carnaval”, para quem quer conhecer um grande escritor!

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