Resenha: O menino do pijama listrado – John Boyne.

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Companhia das letras – 2007 – Literatura estrangeira – 186 páginas – Nota 4♥♥♥♥.

Noite de quinta-feira, conforme combinado, estou aqui para falar desse livro incrível. Não há como falarmos de livros sobre a história mundial, especificando o holocausto, na época do nazismo e não citar este livro. O li há alguns anos atrás, mas o carrego na mente até os dias atuais. Livro pequeno, muito rápido de ler e de fácil entendimento. Serve bem tanto para quem quer ler sobre essa temida época, como quem quer um bom livro de história. A capa do livro faz jus à história contada e ao título do livro. Muito conhecido e já comentado, é quase impossível não se apaixonar por Bruno. Devo dizer que o filme também é muito bom, mas como sempre, não supera a leitura. Aos mais sensíveis fica o aviso que o volume pode despertar lágrimas sem que você perceba e consiga fugir, pois ele toca-nos pela sua forma sutil e triste. A narrativa do livro é em terceira pessoa e o autor utiliza uma linguagem bem simples e básica.

História de um garoto, Bruno, de nove anos, filho de um general de Adolf Hitler na época do nazismo que nada conhece a tragédia que o cerca. Apenas sabe que por motivo de trabalho, seu pai e sua família, incluindo ele tiveram que mudar de cidade e habitar uma casa triste, isolada e sem nenhum atrativo. Como o garoto disposto que é, se vê entediado por não ter com o que e nem com quem brincar. Em uma das suas caminhadas a esmo, encontra Shmuel, um garoto da sua idade, que está de pijama listrado, assim como todas as outras pessoas que estão atrás da cerca que os separa. Aos poucos uma amizade linda ganha forma e ele ajuda como pode seu amigo. Apesar de sua inocência, ele percebe que não deve comentar com sua família sobre seu amigo. Shmuel se mostra um menino retraído com medo, que não tem coragem de contar às coisas que presencia ao amigo. Mas o sentimento entre eles é algo tão singelo que vai contra todas as suas diferenças que se torna único. A ingenuidade de Bruno é tão palpável e cruel com ele mesmo, porque embora o protagonista não tenha conhecimento do que está acontecendo, nós leitores o temos e a dor talvez seja essa. O final, ainda que vago, o que poderia causar dúvidas e desconforto na realidade é tão forte porque ainda sim, sabemos exatamente o fim. Particularmente é um assunto que me afeta muito, desde sempre e acredito que nunca deixarei de ficar perplexa e triste. Recomendo e muito!

Até a próxima Quinta-feira!

Resenha: O Harém de Kadafi – Annick Cojean./ Dica de Filme: As Sufragistas.

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Verus Editora – 2012 – Biografia – Nota 4♥♥♥♥.

Boa noite, estamos em mais uma quinta-feira para o espaço de cultura/ história para falar desse livro reportagem escrito pela jornalista Annick, que é uma biografia publicada pela Verus Editora, lançado em 2012. O li há um bom tempo, quando fui presenteada com este volume e nunca o esqueci. Eu que sempre levanto a bandeira do feminismo, fiquei chocada e muito triste com esse relato. Acredito que nós, que vivemos no Brasil, ainda que tenhamos uma longa luta para a igualdade de gênero no  país estamos muitíssimo evoluídas em relação a países como a Líbia, no qual se passa a história.

Conta à história de uma menina, Soraya de 15 anos de idade, totalmente inocente, que foi raptada e mantida como refém sexual do líder Muamar Kadafi por anos, assim como tantas outras meninas, à força e sem direito a nada. Um homem poderoso, que controlava todo um país na base do carisma e se preciso da força extrema, destruindo a vida dessas meninas, que depois de desonradas, não lhe restavam mais nada. Elas eram trancafiadas no palácio dele e viraram suas escravas, sem contato com a família, escola e mundo exterior. Ainda nos dias atuais, o assunto é tabu e não se fala sobre isso, pois perante a sociedade, elas é que devem mentir e omitir, pois a vergonha “seria” delas. O relato é bem detalhado em alguns momentos que causa aflição, a constatação do que essas meninas representavam para a mente doentia do ditador é impactante, tratadas como objeto e repudiadas por todo um povo. 

Fonte: Portal 100 Fronteiras.

O ex-ditador líbio Muamar Kadafi, deposto e linchado pelos seus opositores em outubro de 2011, poderia ser definido em uma única palavra: megalomaníaco. Atribuía enorme importância à sua imagem, se vestia de modo bastante peculiar e fazia questão de transformar suas aparições públicas em extravagantes encenações. Nascido em uma família muito pobre de beduínos, Kadafi trazia de volta suas raízes ao acampar em luxuosas tendas durante viagens a outros países ou ao receber personalidades na Líbia. Queria se mostrar autêntico, e não suportava concorrência ou comparação. Ele impedia que de seu país sobressaísse algum nome que não o seu, até os jogadores de futebol só podiam ser citados pelo número da camisa. Dentro do seu plano de intrigar o mundo estava se apresentar como único chefe de estado a se cercar de uma guarda inteiramente feminina. E ali ele escondia seu maior segredo: além de megalomaníaco, também era obcecado por sexo. Suas “amazonas”, como eram chamadas, destacavam-se pela beleza – a maioria não tinha qualquer formação militar nem sequer portava armas. Muitas eram, na verdade, amantes e objetos sexuais de Kadafi.

Aproveito o espaço, já que estou falando sobre as dificuldades que mulheres enfrentam até os dias atuais, simplesmente por ser mulher, para indicar o filme “As Sufragistas”. Sufragista é o termo utilizado para pessoas que lutavam ou lutam pelo direito da mulher ao voto. Produzido no Reino Unido e lançado em Dezembro de 2015, com Meryl Streep no elenco, o filme retrata uma das campanhas do movimento, quando as mulheres estavam cansadas de pedir educadamente e pacientemente que tivessem os mesmos direitos que os homens e não eram ouvidas, partindo para as manifestações de desobediência civil e sendo duramente repreendidas pela polícia (conseguem enxergar alguma semelhança com os dias atuais?) mostrando tanto os acontecimentos históricos quando os conflitos pessoais dessas mulheres. O público é levando juntamente com a protagonista a revoltar-se com a forma como as mulheres são tratadas física e moralmente, nos remetendo aos dias de hoje, refletindo sobre quantas mulheres já precisaram sacrificar-se para termos os “privilégios” (gosto de usar aspas quando sou irônica) que temos hoje e o quanto ainda precisa ser feito e discutido aqui e mundo afora. A injustiça com que as mulheres do filme são conduzidas causa raiva e tristeza. Mistura de drama com documentário, um ótimo filme para o fim de semana.

Trailer Oficial Legendado As Sufragistas

As sufragistas

Até a próxima semana 🙂

Resenha de Livro: O diário de Anne Frank – Anne Frank

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#Nota04♥♥♥♥

Boa noite pessoal, como é possível ver (na realidade, não ver hehe), essa semana mais li do que escrevi, bem, na verdade, só estou escrevendo agora. Conforme combinado, hoje é quinta-feira e tenho uma resenha prometida a fazer. Sempre tive vontade de ler esse livro por diversos motivos, sempre ouvi falar bem, é mundialmente conhecido e relata algo que gosto muito de ler sobre, a época do Holocausto. Já li outros livros sobre o tema e o acho comovente e profundo. Impactante e reflexivo. Ainda nos dias de hoje, me vejo questionando se a nossa sociedade já teria se livrado de ditadores como este. Se houvesse um Hitler, se a população brasileira o apoiaria e com grande tristeza, escrevo que acho que sim. Existem muitos “cidadãos do bem” que agem como o ditador, achando-se superior e totalmente convencidos de que seus direitos devem sobressair sobre os demais e ainda que as minorias do país devam se manter caladas e no patamar abaixo do seu. É vergonhoso e cruel, mas nossa sociedade ainda apedreja e lincha pessoas, deseja à morte de outras tantas e quer justiça a todo custo, uma justiça parcial, que só atenda seus interesses. Um desejo de vingança e um ódio permanente que me causam pavor. Pessoas preconceituosas a meu ver se equiparam ao pensamento de Hitler e se tivessem o poder que ele detinha, seguiriam seu manual meticulosamente.

O Diário de Anne Frank, no qual ela conta um pouco do seu passado “normal” de escola, amizades e brincadeiras e focando em seu período de vida desde 1942 até Agosto de 1944 (no qual o livro foi escrito), no Anexo secreto, um fundo de escritório no qual ela, seu pai, mãe e irmã com mais quatro pessoas se escondiam apenas por serem judeus, na Holanda que lutava contra a Alemanha na época de Hitler e o nazismo. Conta detalhadamente sobre as comidas, o dia a dia, seus estudos, leituras, tarefas, discussões e medos que enfrentava lá. Por ser uma menina tão nova, ela se mostra sagaz e muito inteligente. Usa uma linguagem totalmente apropriada como se fosse alguém bem mais velha e talvez o fosse psicologicamente após tudo o que passou. O que cativa é que a gente percebe sua própria mudança ao longo do livro. Suas aflições e descobertas que vão sendo narradas conforme acontecem. Pelo que sei da história do livro, ele foi revisto várias vezes ao longo dos anos e resumido, pois o diário oficial era imenso. Sei também que seu pai, quem tornou a publicação do livro possível, após sobreviver à época, removeu algumas partes que tratavam de seus sentimentos quanto à família e ao seu amigo/ amor. Ela desenvolve um sentimento por Peter, filho dos Van Dann, que vive escondido no mesmo lugar e narra sutilmente o descobrimento do amor. Ela mostra-se muito sincera e crua no que diz respeito ao seu relacionamento com a família, o que só seria possível se tratando de um diário, pois o relato é tão fiel que assusta. Ela não se dá bem com a família, talvez próprio da sua idade, mas a questão é que ela é tão inspiradora que nos vemos comprando a briga dela e a vontade que temos é protegê-la. Relata todos eles sendo capturados e levados aos campos de concentração em diferentes lugares. É uma menina esperta e madura que aos quinze anos tem gênio forte, senso de humor e opiniões no qual expõe tudo no diário, se tornando sua fiel e confidente amiga, que ela chama de Kitty. Você fica com vontade de que o livro nunca acabe e quer fazer parte da vida dela. A dica que deixo aqui para vocês é que deixem para ler o final do livro em um lugar tranquilo, pois a emoção é grande e eu quase passei vergonha.

Até breve 😉

 

Resenha Como Conversar com um fascista – Marcia Tiburi

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Além de romances, temas literários que me atraem são crônicas brasileiras, grandes acontecimentos da História do Brasil e do mundo, cultura, animais, espiritualidade, psicologia – psicopatia, biografia, livro reportagem (fiz um neste estilo como Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade de Jornalismo, um dia, se eu tiver coragem, falo mais sobre ele), além de ficção.

Portanto toda semana, vou tentar resenhar sobre um livro dessas categorias. E sobre Cultura História Leitura farei todas as quintas-feiras possíveis.

Começo com este livro, pois o li há pouco tempo e me chamou muita atenção. E minha história com ele foi por acaso. Fui com minha listinha de compras a uma livraria em uma das minhas noites livres e como sempre, nunca consigo me satisfazer somente com a lista e acabo comprando algum que tenha me cativado. Foi este o caso, o livro estava em uma das prateleiras, mas a cor rosa pink foi o que me fez pegá-lo, o que parece fútil, mas ao ver o tema, logo me identifiquei. Minha visão política é de esquerda e adoro conversar sobre o assunto com quem se abra para isso, claro e achei que seria um bom material de estudo. Não associei de primeira o nome à pessoa e o comprei. Só depois de uns dias, me “toquei” que a conhecia. Acompanho o programa da GNT, Saia Justa há uns anos, dependendo do elenco participativo do ano e o período que ela fez, eu assistia e já apreciava seu pensamento e diálogo. Assisto o programa ainda nos dias atuais e adoro a Maria Ribeiro, suas reflexões se assemelham as minhas, o que me levou a comprar recentemente seu livro Trinta e oito e meio , que talvez eu venha a resenhar qualquer hora, porque gostei.

Estou compartilhando Como Conversar com um fascista porque foi um livro que me abriu a mente de várias formas, o li em três ou quatro dias, não me lembro exatamente, mas ainda que não o estivesse lendo no momento, eu me “pegava” pensando nele durante o dia e ainda quando terminei o livro, continuei refletindo sobre os temas e pontos de vista abordados.

Foi um livro que o marca-texto esteve presente em muitos momentos, pois eu sabia que um dia eu gostaria de reler tudo aquilo. Fez sentido sobre muito do que penso referente a humanidade e me fez “viajar” analisando e criando novas analogias. Poderia escrever muito sobre os temas do livro, mas acho que não cabe aqui, neste momento. Só deixo registrado que me deu base para fortalecer o que eu já pensava. O indico, sem medo, sim, pois todos aqueles que se permitem pensar o novo ou o mesmo ou o velho, ganharão aprendizado. Concordando ou não (eu particularmente, concordo), acho que foi muito bem escrito e entrelaçado todos os temas apresentados. O livro sendo pequeno auxilia também o pensamento em raciocínio constante. Para mim, como pessoa, foi “super” válido. Achei incrível, ainda, a apresentação de Rubens Casara e o prefácio de Jean Wyllys (que graças a este livro e sua participação, me levou a comprar e ler Tempo Bom, Tempo Ruim, também recentemente).

Resumo do livro:

Relato sobre a posição de esquerda da escritora e como a direita se mantem, se movimenta e cala aqueles que pensam o contrário. Muito bom os temas apresentados como aborto, drogas, educação, assédio, cultura indígena, indústria cultural, mídias, novas tecnologias, homossexualidade, machismo e racismo.

“Conversar com quem não pensa como eu, eis o desafio do diálogo”, pág 144.

Próximos livros a resenhar:

CULTURA HISTÓRIA LEITURA

O diário de Anne Frank Anne Frank

O Harém de Kadafi Annick Cojean

O menino do pijama listrado John Boyne

A Casa das sete mulheres Letícia Wierzchowski

Holocausto Brasileiro Daniela Arbex

O ministro Che Guevara Tirso W. Saenz

Não há dia fácil Mark Owen

(Ainda criarei os tópicos dentro da categoria Livros como: ANIMAIS LEITURA, ESPIRITUALIDADE LEITURA, PSICOLOGIA LEITURA e BIOGRAFIA LEITURA).

Até a próxima resenha 😉